INSPIRE-SE | Eduardo

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Tem coisas na vida que fazem a gente seguir em frente com a cabeça erguida de verdade.

Esses dias estava eu navegando pela fanpage do meu blog preferido sobre doença celíaca, o Sem Glúten, Por Favor!, e acabei lendo depoimentos incríveis sobre superação e agradecimento.

Em especial, um me chamou a atenção, do Eduardo Silka. Ele escreveu sobre tudo que passou de forma tão contagiante, que me fez ter vontade de compartilhar com vocês.

Conversamos e ele aceitou o convite de participar desse nosso cantinho aqui no blog. Então segue aí uma das declarações de celíacos mais inspiradores que já presenciei:

Untitled design“Eu sempre achei que meu sofrimento fosse o maior do mundo, afinal ele estava sempre ali, sempre sorrateiro, sempre afetando, principalmente, o meu psicológico (dos sintomas todos, o que mais me incomoda é o psicológico). Então fui diagnosticado como celíaco – grau 3, meu sofrimento tinha nome e toda a ilógica que se passava na minha cabeça foi explicada com a lógica. Eu achei que eu ia melhorar aí. Mas quando você para de consumir glúten, suas contaminações se tornam cada vez mais sensíveis, mais violentas e mais insensatas. Você vira um detetive da própria vida, procurando lembrar de todas as vezes que colocou a mão na boca, ou como preparou sua comida, ou onde bebeu água. Você passa a se preocupar com coisas que não faziam sentido antes, a microscopia da vida. O pequeno importa muito.

E toda vez que me contaminava, como que por uma intervenção divina, via outras pessoas passando por dificuldades e outras pessoas ajudando-as. Por algum motivo, eu sempre assistia a solidariedade de camarote. E o que no começo é ridicularização da nossa situação, torna-se solidariedade dos mais próximos. Enquanto eu quis desistir, haviam várias pessoas em empurrando pra que eu continuasse, pessoas as quais eu tentava afastar, afinal é mais fácil esperar que os sintomas passem sozinhos, ao invés de descontar todo o ódio e glúten que tem dentro de mim.

A solidariedade é essencial. Abrir os olhos pra ela é essencial. Ver que ela está nas ruas e na própria vida e na de desconhecidos é o primeiro passo pra gestação da gratidão.

E quando a gratidão faz parte de nós, as dificuldades, que outrora eram fardos, tornam-se desafios. Viver é um desafio muito difícil, mas nunca deve ser um fardo. E essa conclusão não entra apenas na minha vida, mas na vida de todos os seres do mundo. Quero dignidade mundial, no mínimo. Sinto-me privilegiado por ter sido diagnosticado e por poder levar o tratamento. É um privilégio e eu tenho plena noção disso. Os privilégios nunca são justos, portanto não tem nada a ver com justiça, eu ser celíaco ou eu poder ter conhecimento desse fato. Não tem nada a ver com justiça.

A princípio “parar de comer pão” pode parecer difícil, mas o problema nunca é o pão francês da padaria, o problema é a migalha que o inseto traz nas patas, que o amigo deixa no interruptor e na maçaneta da porta com as mãos sujas, nos corrimãos, nos ônibus e na cidade toda. Parece que me obriguei a pensar nisso, no micro, pra sobreviver. E sou grato, porque esse modo de ver as coisas se diluiu em todo o meu conceito de sociedade e mundo. É bem difícil, mas parece que tá difícil pra todo mundo. Microscópico para os olhos alheios, mas gigante para quem vive a dificuldade.

É com gratidão, solidariedade e tolerância que vamos sobreviver, mais saudáveis, mais bons (no sentido de bondade), mais unidos. Se achamos que não nascemos pra ser felizes, devemos abrir nossa cabeça e entender que não é questão de destino, mas de escolha. Escolhamos ser felizes.”

Me deu vontade de imprimir e colar no espelho, para lembrar disso todos os dias. Inspirem-se!!!!!

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