INSPIRE-SE | “CASAMENTO CELÍACO”

Você já pensou como seria um dos dias mais importantes da sua vida, sem poder comemorar e aproveitá-lo nos mínimos detalhes?

Imagina só, você, noivo ou noiva, não poder fazer a degustação dos docinhos do casamento, nem participar do mesmo jantar que irá servir a todos os convidados no grande dia.

Bom, maio é o mês das noivas e também da consciência celíaca e, com a ideia de juntar os dois, conversei com a Camila, que vai mostrar pra gente como TUDO É POSSÍVEL!

Obs: Olha o sorriso dela!!!

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Conheci a Camila no grupo VIVA SEM GLÚTEN, e pedi para que ela contasse um pouquinho da sua história e seu casamento:

Meu nome é Camila, tenho 25 anos e namoro com meu marido desde os 15 anos!! Nos encontramos num retiro da igreja em julho de 2006 e desde lá estamos juntos.

Descobri ser celíaca três dias depois que ele me pediu em noivado em setembro de 2013 e desde lá ele nunca me deixou na mão! Na verdade ele é mais cuidadoso em relação a glúten do que muitas vezes eu mesma! Descobri eu estava bem debilitada, havia perdido 10 kg em 2 meses, tinha convulsões, desmaios, diarréia constante… Enfim, tudo e mais um pouco relacionado ao glúten, mas o foco não é esse!

Como eu melhorei muito a partir do primeiro dia sem glúten e por tudo que já havia passado eu e ele sabíamos que nada era frescura e que pelo menos no dia do nosso casamento ele queria que eu me sentisse “normal” que eu não me preocupasse com contaminações e aproveitasse o máximo, claro, também não queria uma noiva moribunda na lua de mel! HAHAH

Foi por isso que resolvemos fazer um casamento 100% sem glúten!

Eu e meu marido somos de uma cidade no interior de SP, Itararé, e mesmo nós dois morando junto em Curitiba, resolvemos fazer nossa festa lá no interior mesmo, a onde esta toda nossa família! Além disso, nós já morávamos juntos em uma casa que já era 100% livre de glúten, pois alguns meses pós diagnóstico decidimos morar só nós dois e pra minha saúde eliminar glúten da casa!

Então… Cerca de 2 meses procurando por buffets aqui pela região de Curitiba e Santa Catarina, porque sabia que eles tinham opções sem glúten, e nada dando certo, porque os orçamentos eram exorbitantes, resolvi tentar buffets da minha cidade e da cidade vizinha, Itapeva. E foi lá, na minha primeira visita a uma empresa que tinha todos os serviços para um casamento, que conheci a Vanda, dona do buffet e que quando comecei contar minha trajetória, minhas limitações e meus medos ela sem nem exitar aceitou o desafio de fazer TUDO SEM GLÚTEN.

Ela acreditou no meu sonho e se propôs a realizá-lo!

Com quanto tempo de antecedência você passou a planejar seu casamento? No inicio, já sabia que o cardápio seria zero glúten?

Comecei organizar meu casamento exatamente 1 ano antes e não, não havíamos definido que o cardápio seria 0 glúten, eu só sabia desde o inicio que eu não queria servir cerveja e não queria que tivesse massas.

Como fez a escolha do buffet?

Bom, sabe quando o santo bate? Quando você sem nunca ter visto a pessoa na vida sente uma confiança enorme nela? Foi assim que escolhi!

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As decisões do casal com relação a isto foram unânimes?

Foram totalmente unânimes todas as decisões quanto ao casamento, até sobre decoração, meu noivo sempre esteve presente! Na verdade eu quase desisti algumas vezes da ideia doida de fazer sem glúten, porque nossas famílias eram acostumadas a eventos banhados a cerveja e fui muito questionada na família sobre isso, teve um tio meu que disse que nem iria se não tivesse cerveja, teve uma prima que comentou “Mas vai ter comida de gente nesse casamento”… Claro, tudo pelas minhas costas, mas sempre ficava sabendo, afinal, cidade de interior tem isso! HAH

E sempre que pensei em desistir meu noivo me olhava e dizia: O casamento é a nossa celebração e nós queremos assim! Não de bola pra eles, é nosso casamento!

No meio do processo também tive 100% de apoio do meu pai e minha mãe! Que ouviram poucas e boas também sobre isso, mas nunca desanimaram e sempre me defenderam!

Chegou a comparar os buffets sem glúten e comuns? Se sim, a diferença é grande entre os preços e qualidade?

A comparação quanto a preço é até desleal, porque o valor do buffet lá do interior já era absurdamente mais barato, mas o que lembro de cabeça que recebi orçamento de 145 por pessoa e paguei 35 por pessoa na época.

A dona do buffet não aumentou em nada o valor, foi o mesmo valor se fosse um cardápio glutinoso. Acho que num primeiro momento ela não sabia o valor das coisas sem glúten! HAHAH Ela fez tudo que eu indiquei, tripla lavagem, leu todos os rótulos, pesquisou receitas e opções, comprou coisas novas… Fez tudo que estava ao alcance dela para que não houvesse contaminação cruzada.

Ah, os docinhos e bolo também foram de uma empresa local. Resolvi servir bolo de copo e na mesa colocar um fake. A mesma coisa para a contratação dos docinhos, a dona, Ione, acreditou em mim e também fez tuudooo pra se livrar do glúten, por alguns dias fechou o lugar só para as minhas encomendas!

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E o resultado, foi como esperava? Qual a sensação de poder participar, com os convidados, de um cardápio seguro, em um dia tao especial?

Se o resultado foi como eu esperava? Nossa, foi muito além. Não teve nada de glúten e até hoje algumas pessoas não acreditam nisso. O Cardápio foi o mais variado que eu já vi, tanto a parte de frios quanto o quente.

Eu via as pessoas comendo e repetindo e se deliciando e por dentro todo aquele medo que eu tive foi por água a baixo. Ver aquela pessoa que falou mal até levando bolo pra casa foi espetacular! Ver as pessoas se divertindo sem um pingo de cerveja foi o auge, fiz todo meu casamento apenas com drinks e destilados sem glúten e eles amaram!

Poder dançar ao redor de copos cheios sem medo foi fantástico!

Falam que noivos não comem no dia e tal e acho que isso depende muito. Meu noivo comeu MUITO e eu comi MUITO BEM, beliscava do prato dos amigos sem medo algum!

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Na madrugada teve o lanchinho, que foi canja, e nossa, foi a salvadora da pátria de muitos ali! Foi perfeito! Os docinhos também, todos doces finos e brigadeiros gourmets, perfeitos!

Foi a celebração de dois sonhos juntos! Meu casamento e nossa festa gluten free! ❤

O que você considera primordial quando se trata de um “casamento celíaco”? Dá uma dica pra nós.

De dica eu dou a de sempre acreditar em você e a de não ter medo de conversar, de contar sobre a celíaca, de ser fonte de informação e arriscar, confiando nos seus instintos!

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Eu amei muitíssimo conhecer a história da Camila, com certeza vai inspirar várias noivinhas celíacas por aí.

A Marciéli Palhano, também membro do grupo VIVA SEM GLÚTEN, tem um site muito maravilhoso e neste post ela elenca cinco dicas para quem vai fazer um casamento sem glúten, confira clicando aqui.

INSPIRE-SE | Eduardo

inspire-se

Tem coisas na vida que fazem a gente seguir em frente com a cabeça erguida de verdade.

Esses dias estava eu navegando pela fanpage do meu blog preferido sobre doença celíaca, o Sem Glúten, Por Favor!, e acabei lendo depoimentos incríveis sobre superação e agradecimento.

Em especial, um me chamou a atenção, do Eduardo Silka. Ele escreveu sobre tudo que passou de forma tão contagiante, que me fez ter vontade de compartilhar com vocês.

Conversamos e ele aceitou o convite de participar desse nosso cantinho aqui no blog. Então segue aí uma das declarações de celíacos mais inspiradores que já presenciei:

Untitled design“Eu sempre achei que meu sofrimento fosse o maior do mundo, afinal ele estava sempre ali, sempre sorrateiro, sempre afetando, principalmente, o meu psicológico (dos sintomas todos, o que mais me incomoda é o psicológico). Então fui diagnosticado como celíaco – grau 3, meu sofrimento tinha nome e toda a ilógica que se passava na minha cabeça foi explicada com a lógica. Eu achei que eu ia melhorar aí. Mas quando você para de consumir glúten, suas contaminações se tornam cada vez mais sensíveis, mais violentas e mais insensatas. Você vira um detetive da própria vida, procurando lembrar de todas as vezes que colocou a mão na boca, ou como preparou sua comida, ou onde bebeu água. Você passa a se preocupar com coisas que não faziam sentido antes, a microscopia da vida. O pequeno importa muito.

E toda vez que me contaminava, como que por uma intervenção divina, via outras pessoas passando por dificuldades e outras pessoas ajudando-as. Por algum motivo, eu sempre assistia a solidariedade de camarote. E o que no começo é ridicularização da nossa situação, torna-se solidariedade dos mais próximos. Enquanto eu quis desistir, haviam várias pessoas em empurrando pra que eu continuasse, pessoas as quais eu tentava afastar, afinal é mais fácil esperar que os sintomas passem sozinhos, ao invés de descontar todo o ódio e glúten que tem dentro de mim.

A solidariedade é essencial. Abrir os olhos pra ela é essencial. Ver que ela está nas ruas e na própria vida e na de desconhecidos é o primeiro passo pra gestação da gratidão.

E quando a gratidão faz parte de nós, as dificuldades, que outrora eram fardos, tornam-se desafios. Viver é um desafio muito difícil, mas nunca deve ser um fardo. E essa conclusão não entra apenas na minha vida, mas na vida de todos os seres do mundo. Quero dignidade mundial, no mínimo. Sinto-me privilegiado por ter sido diagnosticado e por poder levar o tratamento. É um privilégio e eu tenho plena noção disso. Os privilégios nunca são justos, portanto não tem nada a ver com justiça, eu ser celíaco ou eu poder ter conhecimento desse fato. Não tem nada a ver com justiça.

A princípio “parar de comer pão” pode parecer difícil, mas o problema nunca é o pão francês da padaria, o problema é a migalha que o inseto traz nas patas, que o amigo deixa no interruptor e na maçaneta da porta com as mãos sujas, nos corrimãos, nos ônibus e na cidade toda. Parece que me obriguei a pensar nisso, no micro, pra sobreviver. E sou grato, porque esse modo de ver as coisas se diluiu em todo o meu conceito de sociedade e mundo. É bem difícil, mas parece que tá difícil pra todo mundo. Microscópico para os olhos alheios, mas gigante para quem vive a dificuldade.

É com gratidão, solidariedade e tolerância que vamos sobreviver, mais saudáveis, mais bons (no sentido de bondade), mais unidos. Se achamos que não nascemos pra ser felizes, devemos abrir nossa cabeça e entender que não é questão de destino, mas de escolha. Escolhamos ser felizes.”

Me deu vontade de imprimir e colar no espelho, para lembrar disso todos os dias. Inspirem-se!!!!!

PAREI PARA AGRADECER

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Eu nunca fui uma pessoa de refletir muito, de fazer metas e coisas parecidas, mas este ano foi diferente, resolvi parar para pensar em tudo o que aconteceu na minha vida.

Desde o ano passado eu vinha sofrendo com dores abdominais e todos aqueles sintomas horríveis da doença celíaca. Por causa dela, a absorção dos nutrientes baixou notoriamente, o que me causou uma anemia forte, que fazia com que eu sentisse fraqueza, tonturas, enjoos, dormência é até desmaios.

Eu tomava remédio quando acordava e antes de todas as refeições, para que não precisasse sair da mesa por conta de dor e mal estar.

Neste meio tempo, eu passei por exames e consultas e tudo levava a crer que eu possuía algum problema com o glúten.

O meu diagnóstico saiu no final do mês de abril e foi aí que eu praticamente nasci de novo em diversos aspectos da minha vida.

Iniciei a minha dieta bem como a utilização de medicamentos eficientes para combater os probleminhas no intestino. Sem contar as injeções e comprimidos de vitaminas que passei a tomar para reabilitar meu corpo com relação à anemia.

Não foram dias fáceis, eu tive incontáveis dificuldades, tanto na vida pessoal, no trabalho, quanto na faculdade, que pra mim, foi o maior dos prejuízos.

Apesar disso, eu sempre tive minha família, meu namorado e meus amigos me apoiando fortemente nessa caminhada. Eles me fizeram levantar cada vez que eu só tinha vontade de ficar deitada dormindo por falta de forças, e me fizeram ver que tudo ia ser mais fácil porque eles estariam ali.

A minha recuperação ainda não é de 100%, mas tem sido muito boa. E, fora uma contaminaçãozinha aqui e outra ali, cada dia e cada descoberta deste novo mundo é especial.

O blog pra mim surgiu como um escape, pois cada vez que eu preparo um conteúdo eu aprendo muito mais sobre o assunto e faço tudo isso pensando nas pessoas que passam pelo mesmo que eu, e deixo de olhar só pra mim e meu próprio umbigo.

Tudo na vida tem um motivo para acontecer e eu espero que eu cumpra o objetivo de ter passado e ainda passar por tudo isso, da melhor maneira.

Neste dia eu tenho MUITOS agradecimentos à todas as pessoas que estão do meu lado, que compram e que preparam comidinhas especiais para mim, que aprenderam a ler rótulos, que me apoiam aqui no blog, que me confortam, e que mesmo sem perceberem fazem com que tudo seja mais fácil.

Hoje eu posso dizer, sem dúvida alguma, que eu sou uma pessoa muito melhor, que a doença celíaca veio na minha vida pra acrescentar e que as dificuldades não são nada perto de tudo que eu tenho e sou. Eu só tenho a agradecer!

2015 com certeza foi um ano de mudanças e aprendizados que eu levarei para sempre. E que venha o próximo!!!!

 

INSPIRE-SE | Emanuela

INSPIRE-SE

EmanuelaOii pessoal, eu sou a Emanuela Vodonós, tenho 20 anos e estou aqui para contar pra vocês um pouco da minha história com a intolerância a lactose. No início do ano de 2012 eu comecei a perceber algumas alterações no meu corpo, como desconforto e distensão abdominal, excesso de gases, algumas vezes náuseas e diarreia, de inicio não levei tão a sério, pois achava que poderia ser algum tipo de intoxicação alimentar, mas esses sintomas foram se tornando cada vez mais frequente e mais intensos, fui e procurei ajuda médica. Foi então que fui encaminhada para realizar alguns exames, dentre eles o teste de intolerância à lactose. Ao retornar no médico com os exames em mãos, recebi a notícia que eu era intolerante. De coração, foi um dos dias mais tristes da minha vida, hahaha, pensei de cara: adeus chocolate, lasanha, pizza, queijo, tudo de gostoso que existia!! Minha médica foi um amor, recomendou vários alimentos sem lactose,e me consolou, dizendo que logo eu me acostumaria com minha nova vida.

Bom, como todo começo, nada foi fácil, a falta de chocolate começou a me deixar ansiosa, sonhava com pizza, sentia vontade de comer apenas coisas com muito leite, coisas bizarras, hahaha, e também tinha minha família, que precisou se adaptar a minha realidade, tendo que prestar atenção na hora do preparo das refeições e na compra de produtos, porém, tudo tem solução, a primeira foi substituir os ingredientes, um exemplo é que comecei a fazer pizza sem queijo (sim, com o tempo você começa achar ela tão deliciosa quanto a com queijo),e experimentar os produtos sem lactose, e selecionar o que eu mais gostava!

Descobri produtos deliciosos, como o chocolate sem lactose da Cacau Show, leite sem lactose, brownie da Good Soy, e outros diversos, mas, alguns que me deixaram frustrada, como o leite condensado de soja, que é tudo menos um leite condensado, e alguns chocolates que tinham gosto de parafina, hahaha.

Desde que descobri a intolerância pesquiso muito sobre o tema, e, procuro conversar com pessoas que também possuem esse problema, e em uma dessas conversas, uma amiga me apresentou a enzima, fiquei muito feliz, e logo comprei uma enzima fabricada no Brasil e que contém 10.000 FC (O tema muito bem explicado aqui). Essa enzima ajudou muito, principalmente quando tinha que fazer refeições fora de casa.

As pessoas sempre perguntavam como eu conseguia ficar sem comer tantas coisas, que deveria ser muito chato ter esse problema, e, hoje eu respondo que é tranquilo, você consegue ter uma alimentação normal e gostosa da mesma forma, e que com o passar do tempo, muitas marcas tem investido nos produtos sem lactose, e, o que torna nossa vida muito mais feliz, encontramos iogurtes, leite condensado (dos bons, viu?!!), creme de leite fresco, mistura para bolo, queijo, requeijão e vários outras delícias!

Os preferidos da Manu!

Sinto um carinho muito grande quando as pessoas me dão de presentes produtos sem lactose, ou, vou a casa de alguém e elas fazem um prato especial pra mim! É muito legal ver essa preocupação das pessoas! Hoje em dia estou super adaptada, meus melhores amigos são os produtos sem lactose e as enzimas, hahaha, e vejo que minha alimentação melhorou depois da intolerância (há males que vem pra bem, não?). Espero que tenham gostado do meu relato, um beijo Emanuela.

“Camarada, viva a vida mais leve
Não deixe que ela escorregue
Que te cause mais dor

Caixa d’água guarda a água do dia
Não cabe tua alegria
Não basta pro teu calor

Viva a tua maneira
Não perca a estribeira
Saiba do teu valor
E amanheça brilhando mais forte
Que a estrela do norte
Que a noite entregou”

(Camarada d’Agua – O Teatro Mágico)

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